A falta de conhecimento dos aspectos relacionados ao crescimento da criança por parte do educador físico faz com que ele elabore um treinamento falho em vários aspectos e que pode ser prejudicial à criança. "O treinamento infantil e juvenil não é um treinamento de adulto reduzido". (WEINECK, 1999), uma vez que crianças e jovens ainda encontram-se em crescimento e desenvolvimento de uma série de alterações físicas, psíquicas, sociais muito significativas ". Por isso, um treinamento de crianças e jovens consiste" de um processo sistemático e à longo prazo, com objetivos, programas e procedimentos diferentes de um treinamento de adultos, onde o crescimento e o desenvolvimento têm prioridade.
Perigos do treinamento de força para crianças e adolescentes, segundo CAMPOS (2000) são:
- Fraturas no disco epifisário - mais comum de acontecer pela execução de movimentos acima da cabeça e com cargas próximas da capacidade máxima da criança. Na fase de crescimento o disco epifisário não é ossificado e assim não possui a mesma capacidade de suportar os estresses mecânicos impostos sobre o osso. A melhor maneira de prevenir estas lesões seria não utilizar os exercícios com movimentos acima da cabeça durante a fase de crescimento e não elevar demais as sobrecargas;
- Fraturas ósseas - na fase do crescimento, há maior suscetibilidade de fraturas entre 12 a 14 anos em meninos e 10 a 13 anos para meninas. As sobrecargas altas nesta fase aumentam o risco de fraturas;
- Distensões musculares - muito comum entre crianças que praticam musculação. Para preveni-las deve-se sempre fazer alongamento e aquecimento prévio e não tentar levantar uma sobrecarga muito alta para um dado número de repetições.
- Lesões causadas por desequilíbrio muscular - o desequilíbrio de forças entre os pares de músculos antagônicos de uma articulação afeta sua integridade, principalmente na fase de crescimento. Um programa de musculação equilibrada, com a mesma proporção de estímulos entre os músculos antagônicos e agônicos e a execução de alongamentos, é a melhor maneira de evitar o problema.
-Hipófise: o stress físico prejudica a liberação de hormônios sexuais por essa glândula, retardando o crescimento de pelos e o desenvolvimento dos órgãos genitais.
-Coração: um desequilíbrio hormonal causado por esforço ameaça o amadurecimento do músculo cardíaco.
-Tendões: estão em processo de formação na adolescência. Uma tração exagerada da massa muscular sobre os tendões pode causar inflamação (tendinites).
-Ossos: exercícios com muita carga comprometem a estrutura dos ossos, logo o adolescente corre o risco de não crescer o quanto poderia.
Devem ser levados em conta para o treinamento:
- A idade
- Nível de condicionamento
- Coordenação
- Experiência
Bibliografia
FLECK, Steven J. & KRAEMER, William J. Fundamentos do Treinamento de
OLIVEIRA, Roberto César de - Personal Training - Uma Abordagem
Metodológica. - Ed Atheneu, 1998.
WEINECK, Jürgen. - Treinamento Ideal. 9ª Ed. São Paulo: Ed. Manole, 1999.
WEINECK, Jürgen. - Biologia do Esporte 9ª Ed. São Paulo: Ed. Manole, 1991.